quinta-feira, 7 de março de 2013

Transmissão vertical da moral e da ética



JORNAL VIRTUAL GESTÃO EDUCACIONAL Ano 2 Nº 112 - 19/05/09
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Muito se discute hoje sobre o comportamento equivocado dos nossos jovens, tanto em casa não valorizando seus pais como em sala de aula sendo agressivos e desrespeitosos com os colegas e principalmente com os docentes. São inúmeras queixas e diversos casos relatados que, ao final das discussões, paira uma pergunta no ar: “O que aconteceu com a moral e a ética?”


O termo “Transmissão Vertical”, muito utilizado na saúde, significa que a criança recebeu alguma infecção de sua mãe (Hepatite B e C, HIV, Sífilis, etc.). Quando resolvi utilizar esse termo para a educação, pensei que seria mais fácil a assimilação do leitor quando se trata da moral e da ética.



A palavra Ética é originada do grego ethos e significa modo de ser, caráter. Através do latim mos (ou no plural mores), que significa costumes, derivou-se a palavra moral. Em Filosofia, Ética significa o que é bom para o indivíduo e para a sociedade, e seu estudo contribui para estabelecer a natureza de deveres no relacionamento indivíduo - sociedade.



Define-se Moral como um conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. Moral e ética não devem ser confundidos: enquanto a moral é normativa, a ética é teórica e busca explicar e justificar os costumes de uma determinada sociedade, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns.



Desde criança que ouvimos a frase: “Educação vem de berço”. Nunca discordei dela e cada dia que passa concordo mais ainda. É justamente nesse ponto que quero chegar. A maioria dos professores das nossas crianças são pais e se não o forem, são filhos. Quando observo as atitudes desenfreadas dessas crianças frente aos seus pais ou professores, questiono se a educação que eles estão recebendo, tanto em casa como na escola, está coerente com a moral que tanto ouvimos falar antigamente e a ética que massivamente ouvimos hoje.



A transmissão vertical da moral e da ética influencia diretamente na formação das nossas crianças. A quantidade de crianças com dificuldade de aprendizagem nas salas de aula de todo o país é assustadora. Será que a multiplicação dos cursos de Psicopedagogia se deve justamente ao simples fato dos pais e mestres não terem o que transmitir? Ou ainda de transmitir valores amorais e nada éticos? 



Temos que entender que os professores trabalham na sociedade e que devem trabalhar, necessariamente, em prol dela. São eles, juntamente com os pais, que transmitem os valores que separam o que é certo do errado. Existe uma fronteira que separa a vida pessoal do profissional? É difícil utilizar essa fronteira como descrição do que significa transitar entre a própria vida e a vida profissional, uma vez que as reflexões que são feitas relativamente à profissão formam parte daquilo que eles são como professores, como pais, como cidadãos e como membros de uma sociedade. 



Os professores veem hoje o seu trabalho dificultado, mas essa dificuldade deveria engrandecê-los na medida em que devem educar para a cidadania sem deixar de ser cidadãos. Quando eles retornam à sala de aula como alunos, como em cursos de pós-graduação, o comportamento expressado reflete diretamente o que estão transmitindo aos seus alunos: desmotivação com a profissão, intolerância, arrogância e principalmente falta de comprometimento com a educação.



São queixosos em relação à lista de presença, ao artigo científico como avaliação da disciplina e ao cumprimento da carga horária, itens que, ao meu ver são essenciais a uma boa formação. Deixam claro que estão ali pelo certificado, pois aumentará seu salário. Se analisarmos que são esses profissionais que, através das suas atitudes, transmitem os valores éticos e morais às nossas crianças, temos que nos preocupar imensamente com o rumo que tomou a educação no nosso país. 



Nessa perspectiva, considero que existe uma espécie de divergência entre aquilo que são e aquilo que fazem como professores. Por isso é tão necessário insistir na imagem do professor não só como um profissional que transmite conhecimentos, que resolve competentemente o seu trabalho, mas também como alguém que educa através das suas atitudes. É aí que devem focalizar as expressões máximas dos valores e da ética.



Sérgio Bandeira Góes é diretor geral da Organização Pós-Graduação em Educação e Cultura. Contato: sergio@posgrad.com.br

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