quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Assassinato de Uma Biblioteca

A destruição do acervo de répteis do Instituto Butantan é lastimável e inestimável. Quando algo valioso e  insubstituível se perde o sentimento de impotência atinge a alma das pessoas, principalmente as que estão envolvidas. O mesmo pode-se dizer do acervo de uma biblioteca. Livros contam histórias e é história, a prova, de que a  humanidade faz sentido às civilizações futuras. O que seria dos estudos arqueológicos sem os documentos dos porões das bibliotecas?  

Em 2005, parte dessa memória ficou perdida. Assim como no Butantan, um incêndio transformou em cinzas 15 mil livros da Escola António Cristino Cabral, no município de Sertãozinho, SP. Segundo a prefeitura, um prejuízo de mais de 300 mil reais.

O Corpo de Bombeiros disse talvez o incêndio tenha sido criminoso.  Eles encontraram a cantina arrombada e indícios de que os meliantes tinham levado as guloseimas dos alunos. as Provavelmente por adolescentes. A falta de doces e de um  VHS atestam as suspeitas..

Livros, são substituíveis, pensarão alguns? Sim são substituíveis. Mas não aqueles livros destruídos pela ação de marginais incultos. Se os assassinos da biblioteca fossem enculturando saberiam que poderiam “ganhar algum” sequestrando o acervo e não destruindo-o. Ganhariam eles e os mais de mil alunos que se tornaram órfãos de conhecimento.

Os funcionários da escola disseram que não conseguiram entender o motivo do incêndio, apesar da suspeita de crime. Não há o que entender.

O que fazer quando trabalhos de alunos de quase 50 anos foram destruídos? A resposta para a tragédia está atrelada ao problema social, cancro que assola a sociedade e as suas desigualdades de oportunidade. A responsabilidade pelos desleixos sociais que descambam em atos criminosos como esses e tantos outros espalhados pelo país estão nas mãos de nossos governantes cujas mãos cheiram a fumaça.     

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