Quatro milhões de páginas de jornal dos séculos 18 e 19 foram postados online pela Biblioteca Britânica.
O público agora pode ver o conteúdo de 200 títulos da região da Inglaterra e Irlanda. Isso inclui eventos como o casamento de Vitoria e Albert, e o crescimento das ferrovias.
O especialista em jornais da Biblioteca, Ed King, afirma que a coleção está sendo aberta como nunca. O arquivo é gratuito para pesquisa, mas há um custo para visualizar as páginas.
“Ao invés de ver os itens na biblioteca, folha por folha, pessoas do mundo inteiro agora podem explorar por conta própria essa mina de ouro de histórias e informações”, afirma King. “A habilidade de procurar entre milhões de artigos vai oferecer resultados, que antes levariam semanas ou meses, em uma questão de segundos, com um clique de mouse”.
Inclusos no projeto estão as páginas do Aberdeen Journal, Belfast Newsletter, Western Mail e Manchester Evening News.
Uma equipe passou um ano na biblioteca, em Colindale, no norte de Londres, digitalizando até 8 mil páginas por dia. E eles esperam chegar a um total de 40 milhões em 10 anos.
O Ministro da Cultura, Comunicação e Indústrias Criativas, Ed Vaizey, afirma que o arquivo é “uma rica e altamente excitante fonte”. “Fiz uma busca sobre um dos tópicos da constituição, e em segundos tive 42 mil resultados – uma indicação da variedade do material”.
Preciosidades. Coleção tem 4,5 milhões de jornais
e revistas, reunidos nos últimos 200 anos:
17 quilômetros de prateleiras.
Antigo armazém será adaptado para receber maior acervo latino-americano de periódicos
É como se todos os dias uma banca de jornal despejasse seus exemplares na porta do imponente prédio da Biblioteca Nacional, na Cinelândia, centro do Rio. São 4 mil novos exemplares por mês. Ao longo de 200 anos, a biblioteca recebeu 4,5 milhões de jornais e revistas. "Já temos 17 quilômetros de prateleiras só com este acervo", diz Mônica Rizzo, diretora do Centro de Referência e Difusão da biblioteca.
O maior acervo de periódicos da América Latina vai poder, enfim, respirar. O BNDES liberou R$ 32 milhões para a Fundação Biblioteca Nacional. Desse valor, R$ 17,9 milhões serão usados para adaptar um antigo armazém de grãos na área do Cais do Porto para receber a Hemeroteca Brasileira. A verba é um pedido antigo. "Há pelo menos dois anos estamos nessa negociação. Agora vamos poder ficar tranquilos durante um bom tempo. Teremos espaço para uma coleção três vezes maior do que a atual ", suspira Mônica.
O acervo não para de crescer. Por força da lei de depósito legal, qualquer publicação no Brasil tem de doar um exemplar à biblioteca. O que é excelente para a memória nacional, mas trágico para falta de espaço de um prédio que não tem mais para onde crescer.
Atualmente a biblioteca tem 9 milhões de itens. A grande maioria está no prédio da Cinelândia, inaugurado em 1910. A falta de espaço obrigou a direção a transferir parte do acervo ao Palácio Gustavo Capanema, também no centro. No armazém do cais do porto também já estão cerca de 1 milhão de jornais.
Quando a hemeroteca for inaugurada, haverá mais espaço para guardar livros no prédio da Cinelândia. "A cada ano, recebemos cerca de 100 mil novas peças, entre livros, jornais, partituras, gravuras, mapas, CDs e DVDs. É fundamental que nos preparemos para continuar abrigando as publicações, inclusive digitais. A biblioteca, há 200 anos, é a guardiã oficial da memória do País", define Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional.
O antigo armazém já pertence à biblioteca desde os anos 1980. O que faltava era o dinheiro para obra. Até agora, só foi reformado um andar, o terceiro. O espaço foi dividido em seis unidades estanques. "Se acontecer uma infelicidade e começar a pegar fogo em uma unidade, o incêndio fica restrito a esse espaço. Não se propaga. A mesma coisa com uma possível infestação de cupim. Ela não se espalhará para o resto do acervo", diz Mônica. As obras vão durar 30 meses.
O acervo é precioso. Estão lá o primeiro exemplar do Correio Braziliense, de 1808, que era impresso em Londres. Ainda faz parte da hemeroteca a coleção da Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro jornal impresso em terras brasileiras, que se transformou no atual Diário Oficial da União. "Temos também as edições do Diário de Pernambuco, desde 1825, a mais antiga publicação corrente em língua portuguesa no mundo. Temos a Revista da Semana, de 1900, O Tico-Tico, O Malho, a revista O Cruzeiro. Isso sem contar os jornais da imprensa alternativa, perseguidos durante a ditadura militar, jornais regionais de todo o Brasil e jornais literários", diz Amorim.
Pesquisa. Tudo isso está aberto ao público para pesquisa. Boa parte do acervo já está micro filmado. "Temos 40 leitoras de microfilme e dez mesas para atender o público. Mesmo assim, há dias em que não conseguimos atender todo mundo."
Exemplares mais antigos só podem ser pesquisados em microfilmes. "Cada vez que um exemplar centenário é manuseado, ele solta pedaços. Temos de preservar o máximo possível", explica Mônica. Aos poucos estão sendo digitalizados todos os exemplares para que fiquem disponíveis na internet (http://www.bn.br/portal0
Olimpíadas
A hemeroteca ficará ao lado do novo Museu de Arte do Rio, do Aquário do Rio e do Museu do Amanhã no Cais do Porto, área que está sendo revitalizada para os Jogos Olímpicos de 2016.
Fonte: MÁRCIA VIEIRA / RIO - O Estado de S.Paulo / 9 outubro 2011 / 11h10