segunda-feira, 3 de junho de 2013

“Persiste em ler...”


Por Alves Burity

Como devemos ler? Ai está a pergunta que merece ser estudada antes de respondida. Contudo, vejamos: Devermos ler metodicamente, isto é, com moderação, pensando no que foi lido; ler analisando, criticando, concluindo. Agora, quando dizemos criticando , referimo-nos àquela crítica sadia, construtiva, capaz de melhorar a obra, com descobrir as faltas e ajudar a saná-las, porque descobri-las e guardar silêncio nada ajuda ao autor da obra.
Em geral a maioria pensa que dever ler o maior número possível de livros e às pressas. É claro que me refiro à maioria dos que lêem, porque o grosso do nosso ovo não lê, ou pouco lê. Isso não é recomendável; os que assim procedem; erram e muito. A leitura mal orientada, além de prejudicial fisicamente, é perniciosa moral e espiritualmente.
Em comparação, talvez rústica, porém apropriada, será o mesmo que uma pessoa comer em demasia, sem, contudo, mastigar... Sabemos de sobra o que acontecerá a quem agir assim. Qualquer lei, quando transgredida, reclama punição. Vivemos sob  o governo de lei justas, porém severas. Aliás, a literatura latina  rica em máximas instrutivas, apresenta-nos como advertência: Non Multa, Sed multum.Interpretando, teremos: O essencial não é o número de livros lidos, mas o número de vezes que os lemos. Melhor: a importância que se dá ao que se vai ler e ao como e vai ler. O interessante é ler a obra e descobrir-lhe a razão-de-ser e não é ler muitas obras a um só tempo, sem, contudo, apreender-lhes o9 valor exato, nem descobrir-lhes a finalidade. Em linguagem usual: É preciso “mastigar” o que se lê.
Tomemos uma ilustração interessante: Os ruminantes – o boi, por exemplo – após haver pastado, põe-se a ruminar o alimento que apanhou, enquanto ao pasto. Em geral o faz, quando deitado, numa atitude que denota tranqüilidade e satisfação... O exemplo fala por si.
Após a leitura de uma página qualquer, seria interessante também, se nós nos detivéssemos, por momentos, a “rumináta”, a revolvê-la na mente, a fim de não só apreender-lhe o sentido exato, se possível, senão também dela extrair a “seiva” capaz de nutrir o nosso intelecto e, o que é mais para desejar, indispensável à nutrição dele...

Não muitos, mas muito. Experientia docet...

Fonte: Espírito, alma e corpo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

BOSB agradece o seu comentário.