Resenha
Muitos alunos só terão acesso à
literatura por meio das bibliotecas escolares, espaços capazes de ampliar o
incentivo à leitura, apesar de ainda serem precários e escassos
Virgínia Ávila
Desde a Antiguidade,
a biblioteca corrobora a necessidade humana de resguardar os saberes
construídos ao longo do tempo. Simultaneamente, torna-se um espaço restrito às
classes privilegiadas, as quais mantiveram inacessível o tesouro e a relíquia
da sociedade: o livro. A obra Literatura fora da
caixa: o PNBE na escola - distribuição, circulação e leitura - sugere que a
biblioteca escolar ainda não consegue exercer plenamente sua função de acesso à
leitura e de democratização dos bens culturais, o que nos leva a refletir que o
livro ainda é entendido como objeto distante do cotidiano dos indivíduos.
Bem se sabe que as
políticas públicas de fomento à leitura, como o Programa Nacional Biblioteca na
Escola (PNBE), intentam modificar esse quadro. O acervo selecionado pelo
programa governamental chega às estantes de livros. Docentes e bibliotecários
reconhecem a qualidade literária das obras. Todavia, conforme provocam as
pesquisas relatadas no livro organizado pela professora Aparecida Paiva, a
questão basilar e controversa reside na tensa e distante relação construída
entre a biblioteca - personificada pelos atores sociais que lá trabalham - e a
comunidade escolar.
Em grande parte dos planejamentos geográficos das escolas públicas já se contempla o espaço
destinado a biblioteca. Porém, não se pode afirmar o mesmo quanto à inserção
efetiva da biblioteca no cotidiano
escolar, de forma a deixar unicamente o espaço simbólico e ocupar também o de
real utilidade: tornar-se o centro sociocultural da vida da escola.
O avanço das propostas das políticas públicas de fomento à leitura
esbarra nos obstáculos da vivência
pragmática das escolas: bibliotecários
com formação incipiente, ineficiência da gestão escolar quanto à delimitação
das funções do auxiliar de biblioteca, desmerecimento e descuido do espaço no
dia a dia da instituição escolar.
Para que os objetivos do PNBE ou de qualquer outra iniciativa de
formação de leitores se concretizem, as pesquisas revelam não bastar
objetos-livros. Faltam, à escola, pessoas incentivadoras, capacitadas e
valorizadas pelo seu nobre ofício de mediadoras culturais.
Virgínia Ávila é
professora de língua portuguesa, literatura e língua inglesa em Belo Horizonte,
mestre e doutoranda da Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de
Minas gerais (UFMG)

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