terça-feira, 25 de outubro de 2011

O sabor do saber

Olá, pra você!
Hoje eu reproduzo um texto do professor Jacir Venturi*. A introdução de seu artigo sobre  o Conhecimento interessou-me sobejamente. Por isso reproduzo-o aqui. Espero que você e outras pessoas que não têm a oportunidade de receber o periódico que versa sobre inovação, educação e gestão, possam desfrutar destas preciosas informações. O sabor do saber é uma delícia. Boa leitura.

A era do conhecimento – que hoje vivenciamos – tem fulcro em dois marcos históricos: a Biblioteca de Alexandria e a imprensa de Gutemberg.

A Biblioteca de Alexandria estava muito próxima do que se entende hoje por universidade e reinou quase absoluta como centro de cultura mundial entre o século 3 a.C. e o século 4 d.C.Continha praticamente todo o saber da Antiguidade, em cerca de 700 mil rolos e papiro e pergaminhos. Seu ideal era adquirir um exemplar de cada manuscrito existente na face da Terra. No entanto, o manuseio de seus conteúdos era restrito aos mais conspícuos sábios, poetas e matemáticos. Sua destruição talvez tenha representado o maior crime contra a ciência e a cultura em toda a história da humanidade.

Até meados do século 15, a reprodução do conhecimento se fazia essencialmente por meio dos monges copistas, pontuados em algumas dezenas e mosteiros e universidades.

Em 1455, o ourives alemão Johannes Gutemberg inventou a tipografia. Com a imprensa, o mundo sofreu uma vigorosa transformação que, de pronto, influiu extraordinariamente sobre o Renascimento. . Tamanhos foram o alcance e a influência da invenção de Gutemberg, pois propiciou a democratização do conhecimento, com a impressão em escalas de livros e jornais, que foi considerada a maior revolução tecnológica do milênio.

A Europa de então posuuia cerca de 50 milhões de habitantes. Somente 15% sabem ler, pois raramente conseguiam livros. O invento de Gutemberg se propagou de moso espantoso e fez dobrar, em poucos anos, o número de europeus alfabetizados. Em 1500, já circulava, naquele continente, meio milhão de livros.

Se vivemos hoje a era do conhecimento ,é porque alçamos sobre ombros de gigantes do passado, reinterando a afirmação de Isaac Newton. A cada geração, novos andares foram constuidos sobre a antiga estrutura.

Com a internet, em nenhum momento da história, o acesso ao saber e à pesquisa foi tão democrático. Em poucos minutos, boa parte da população mundial tem informações ao alcance de um teclado; só o Google hospeda 1,5 trilhão de páginas de informações.

Hoje, a web e outras multimídias tornam disponíveis conteúdos técnicos e pedagógicos precisos, com visual atraente, em movimento e até em 3D. Em contrapartida, metade de seus bites é desnecessário e até pernicioso.

Fui estrudante de 1o e 2o graus nos anos de 1960, época em que não havia tantas futilidades na comunicação escrita, até porque todo impresso era dispensioso. Os livros eram monocromáticos, sisudos, contidos nas ilustrações e pródigo nos textos densos.

Uma mesa e uma cadeira num ambiente silente são condições clássicas para uma afetiva assimilação dos estudos. Ou, como dizia um provecto professor de matemática, com graça e forte sutaque alemão: "o aprender entra 'pelo bunda' e caminha para o cérebro."

Se temos hoje uma profusão de recursos tecnológicos, com ludicidade e didática, uma coisa não mudou: o aprendizado consistente e duradouro se faz com disciplina pessoal, esforço e solidão.

Para atingir os píncaros do saber, busquemos a analogia portuguesa do Cabo deo Bojador, aquele lugar difícil de ser alcançado, mas que tem elevo. E tem conquista. Conforme ilustram os versos de Fernando Pessoa, "quem quer passar além do Bojador / tem que passar além da dor". E a dor se transforma em doce sabor. Sabor de saber.

Por *Jacir Venturi: Diretor de escola e professor. Vice presidente do Sinepe/PR
Fonte: Revista LD LinhaDireta, edição 159, ano 14 – julho 2011. Pag. 32



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